“Andarias com a arma que matou teu irmão pendurada ao pescoço?”, perguntou-me uma vez uma Testemunha de Jeová quando eu tinha uns 17 anos. Na altura não soube responder, era extremamente ignorante sobre a religião católica, mas bem no fundo algo me dizia que a “cruz”, símbolo dos cristãos, deveria ter uma razão sublime de existir. Os argumentos que essa Testemunha de Jeová explanou não conseguiram abalar essa certeza e a pergunta ficou suspensa, senti uma grande necessidade de encontrar a resposta, não para quem a fez, mas para mim:
Que deveria ter dito
naquela altura? O que, para mim, simboliza a Cruz de Cristo?
Poderia dizer que já sei a
resposta, e sei, mas sei com a cabeça e não com o coração, acho que se
abrangesse com o coração a verdadeira razão da Paixão de Cristo, não suportaria
o peso dos meus pecados e não só, não suportaria a “onda de choque” causada pelo
amor que Jesus tem por mim, apesar de ter pecados e exatamente por os ter.
Pecar, é construir um abismo
entre mim e o amor de Jesus. Sempre que faço algo errado “por pensamentos, atos
ou palavras” me afasto do Seu amor. Se me arrependo e procuro o Sacramento da Confissão,
Jesus cria uma ponte sobre esse abismo para que eu tome a iniciativa de
transpor. A Paixão de Jesus, na minha visão limitada e sem conhecimentos de
teologia, é o grande feito visível do amor de Deus, Ele necessitou dos
tormentos sofridos por Seu filho para criar pontes sobre os vários abismos
concebidos pelos homens. Mas não podemos esquecer: esses abismos não deixam de
existir, a ponte só pode ser percorrida por nós e quanto maior o abismo, maior
é a ponte e maior é a caminhada.
A questão, que me foi feita, me acompanha até hoje e continuo
procurando a resposta mais acertada, e de uma das meditações que fiz, surgiu a
história que escrevi de nome “Ousadia do Amor”, onde transcrevo este
pequeno trecho: “O coração da pequena planta se encheu de compaixão.
Primeiro por aquilo que ouviu d’Ele. Ele pediu perdão para essa gente que O
injuriava, pediu perdão ao Pai. Ela não compreendia, mas essas palavras lhe
causaram uma sensação estranha. Elas irradiavam bondade, paciência,
compreensão, ... AMOR. Sim, um grande amor, tanto pelo povo, como pelo Seu Pai.
Depois as palavras das pessoas lhe elucidaram a razão porque Ele estava sendo
crucificado. Ele era o eleito, um Rei. Sim, ela conseguia ver toda a Sua
dignidade real, apesar de estar tão flagelado. Sentiu-se cativada por esse Rei
e não mais tirou o olhar d’Ele.”.

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